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sábado, 16 de outubro de 2010

Curiosidades 4

O Muçulmano é um povo muito religioso, reza 5 vezes por dia.

Se Salvador tem 365 igrejas, aqui em Sohar, com uma área infinitamente menor, deve ter umas 365 mesquitas... e todas as mesquitas tem alto-falante, que chamam as pessoas para rezar... volta e meia escutamos o chamado.

Outra coisa que é interessante aqui, é que em locais de grande concentração de pessoas, tipo supermercados, shopping e até mesmo aqui no escritório, tem os 'prayer rooms', ma sala onde eles podem fazer suas orações. As poucas mulheres brasileiras aqui enfrentam um problema com isso. Só tem um banheiro feminino aqui, e antes de rezar, as mulheres muçulmanas tem que fazer uma sessão de higienização no banheiro, lavando pés, mãos, cabeça e sei lá o que mais... e isto congestiona o banheiro...

Em hotéis e apartamentos, tem adesivos mostrando onde é Mecca, para rezar para o lugar certo!




Assim o muçulmano sabe que tem que virar-se para essa direção...

Mas e se tiver algum muçulmano, que precisa rezar, está na hora de cumprir com suas obrigações religiosas e não está em um prayer room ou em um lugar que tem o adesivo? onde estirar o seu tapete de oração?

Eles pensam em tudo! incrivel o que é a tecnologia!!


Não vi ainda nenhum tapete voador, mas se voar, tem esses com bússula para localização!

É a tecnologia a serviço da religião!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Dirigir em Omã – Como estacionar o Carro

 O motorista omani não é dos melhores... e aqui em Sohar, é na beira da estrada... com as roundabouts... ainda anão cheguei a ver acidente, mas já vi carros batidos por aí...

Nos estacionamentos dos supermercados é cada um por si... criam vagas, ignoram sinalizações e largam o carro de qualquer jeito... muitas vezes ligado para manter o ar condicionado... Como todos aqui já sabem dos 'bons costumes locais' para estacionar, tem vário carros que colocam uma tira de borracha na porta, para não bater a porta no carro vizinho.

No meu prédio, tem 16 apartamentos... 4 vagas cobertas, onde quem chegar antes usa... não são determinadas... e tem vagas fora do prédio, na frente.

Aqui não tem problema com a segurança do carro que fica fora, o problema de parar fora é o sol... por que mesmo as 8 da manhã a temperatura já beira os 40°C. Então sempre tento parar no coberto.

Como falei, são 4 vagas, duas vagas 'simples' (entre pilastras) e duas vagas juntas.

É fácil estacionar... a entrada é estreitinha, mas as vagas são em 45°, assim que termina a curva para entrar na garagem é só virar para o outro lado e já entrar nas vagas... mamão com açúcar... sem stress...

Mas...

Não é tão simples assim...

Tenho um vizinho, omani, que acho que não gosta muito das convenções... como aqui tem muito indiano, e mesmo no prédio tem indianos e gente de Singapura, os omanis, sem generalizar, tem uma certa postura xenófoba de superioridade (isso não acontece junto aos brasileiros, conosco são sempre muito amáveis e prestativos, claro, se souberem que somos brasileiros, por isso é sempre bom soltar alguma coisa sobre o Brasil para eles saberem com quem estão falando). Então, esse meu vizinho, que não tem um carro pequeno, gosta de parar o carro de uma forma diferente...





Pra que parar o carro de uma forma correta? Esse cara que aparece na foto é o porteiro noturno... fui reclamar com o cara... que catzo é isso! Mas o cara não entende muito bem inglês e não pode fazer nada... ele é 'indiano'... não vai passar um pito o omani... Mas já que é assim, eu vou parar meu carro nessa meia vaga que sobrou... o cara que se vire pra sair amanhã...



E assim parei meu carro... eu conseguirira sair da vaga sem problemas, mas o cara teria um pouco de dificuldade...

Infelizmente eu não descobri por que eu saí pra trabalhar no dia seguinte antes que ele...

Mas tudo bem... Cheguei no trabalho e fui falar com os brasileiros... falaram que isso é normal... mesmo em prédios com vagas definidas eles não respeitam...

Tem aquele ditado né, "chumbo trocado não dói".




Parei o carro assim ontem... e chamei o porteiro... quando ele viu, começou a gargalhar... ele se divertiu com isso mais do que eu... e me apoiou... falou que eu estava certo...

Mas meu plano maligno revanchista não deu certo por que eu acabei saindo a noite e o cara não tinha chegado ainda... quem sabe numa próxima vez eu dou sorte!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Diário de Bordo: 02


Dia 05

Agora começou o trabalho... Não sei se será possível ter muitas histórias pra contar, pois não terei muito tempo para ter aventuras...

Minha situação aqui é a seguinte:

Só tenho acesso a internet durante o expediente... a noite, em casa, não tenho net... vou arrumar aquele modenzinho USB 3G, mas é caro, então tem que usar com moderação...

Farei um recap dos últimos dias...

Como disse, começou o trabalho... lá na obra (na verdade não só na obra, mas no país inteiro!) é um calor infernal... Dentro do escritório, tem ar condicionado, é gostoso... logo quando você chega vem o copeiro indiano trazendo para você uma garrafinha de água, logo depois traz um café... A temperatura fica na casa dos 24°C. Mas é só sair do Escritório e ir pro canteiro de obras que me lembro onde estou... Ao abrir a porta sinto um "tapa na cara" do calor... Logo do lado de fora (na sombra!) está o termômetro que eu tirei a foto... já checo só pra saber o que eu vou enfrentar! E nunca está abaixo dos 36°C!

Como é um canteiro de obra, e pra ajudar é na praia, e pra ajudar ainda mais é tempo seco e no deserto, levanta muita areia, muito pó... respirar esse pó, com um sol de 40°C e voltar pro escritório com 24°C, não deve fazer muito bem para as vias respiratórias.

Na obra, é absurdamente quente, é um prédio em construção, fechado, abafado... a camisa fica literalmente encharcada... uma verdadeira sauna sem eucalipto.

Quarta-feira, que para os árabes seria a nossa sexta-feira, pois aqui o final de semana é quinta e sexta, fomos ao Crowne Plaza pra tomar uma cerveja junto com outros brasileiros da obra. O lugar era lindo, mas a cerveja era cara algo em torno de 18 reais... foi bom por que tinha uma mesa de sinuca, deu pra enturmar um pouco com o povo do trabalho. Praticamente só tinha expatriado lá, mas tinha uns caras de "saia branca", achava que eles não podiam beber... Conversei com um chileno e com um finlandês de uma outra empresa... o finlandês gostou tanto que eu sabia algumas palavras em finlandês (Valeu Gustavo!) que para me parabenizar me pagou uma cerveja (economizei!). Joguei sinuca com um árabe na regra omani. É o nosso jogo de maiores e menores (bola lisa e bola listrada) só que com algumas diferenças, bem, não tanto para mim por que eu já jogava mais ou menos assim... se você errar a bola, não cai uma bola do adversário, mas também não é o "bola na mão" você joga onde a bola branca está, mas você tem duas tacadas, desde que acerte a primeira! É mais ou menos quando jogava basquete quando pivete que "a primeira é livre". Se cair a branca, coloca a bola na linha de inicio de jogo, mas só pode jogar pra frente (em direção do "estouro") e quando cair a ultima bola que você tem que matar, a bola 8 deve ser encaçapada na caçapa oposta que você matou sua ultima bola, e apenas naquela. Bem, ganhei o jogo... fiquei conversando com o árabe (este estava a paisana) e descobri que ele é libanês e não omani. Falei que gosto da culinária libanesa e ele falou que o pai dele tem um restaurante libanês! Opa! Até que enfim esfiha e kibe! Perguntei pra ele se tinha esfiha no restaurante, não tem... mas terá! E Kibe? O cara fez cara que não entendeu (Richard, eu juro que isso aconteceu de novo!)Kibe! E nada... aí expliquei como era o kibe brasileiro (sem leitura com interpretações homossexuais, por favor) "Ah!!! Kibeh!" Porra libanês! Vá a merda! Kibe você não entende por que tem que falar kibeh! Se alguém falar letche pra mim eu entendo que é leite! Mas no restaurante tem kibe, tabule, babaganush, michui, etc... vou lá conhecer... falar que sou amigo do filho do dono e quero desconto!

Mas acabamos indo em outro restaurante libanês antes... hj, após sairmos da obra, esticamos até quase 4 da tarde, pois como aqui é final de semana, o povo lá ficou até meio dia, então aproveitamos o tempo lá sem ninguém pra atrapalhar pra fazermos as nossas coisas, fomos almoçar nesse outro libanês, Damascus Flower... comida caseira, bem gostosa, bem servida e barata... nós 4 almoçamos por 35 reais. Pedimos algo que poderia ser o menu de degustação, que vinha kebab, michui e Beirute de kafta, com salada árabe, pão sírio e homus e um arroz, que não era nem o arroz sírio nem o com lentilha e cebola... era um arroz colorido... como iríamos dividir, essa pedida foi uma excelente custo benefício. Não tinha esfiha no cardápio... mas tinha kibe, mas não pedimos... r perguntei pro garçon como que era o kibe... o cara não falava inglês direito... perguntou se eu falava Frances... por que que eu fui falar pro cara que eu falava um pouco de Frances??? "oui, un peu"...

Não entendia o que o cara falava...

- bla bla bla viande...
ok, entendi que era de carne...
- "Lupan"
Perguntei: "Le pain?"
- "Non! Lupan!" e levava a mão a boca...
Não entendi... fodasse, não vou pedir essa parada...
O cara ainda falou pra mim: "achei que você falasse Frances!" porra! Eu falei que falava "un peu"!
Quando chegou o prato, o cara trouxe o pão sírio e disse: "lupan!"
Caceta! Eu falei isso porra! "LE PAIN", no final não entendi que catzo tinha a ver o pão nessa história toda.... não sei se o kibe vinha com pão... se ele estava se referindo ao trigo... isso me fez pensar que talvez o episódio kibe e kibeh os caras podem não entender mesmo a diferença...
Mas não iria deixar barato... na saída eu vou falar em Frances com esse cara... fiquei no almoço tentando lembrar minhas aulas de Frances pra conseguir estabelecer uma conversa... e consegui... mas minha cabeça ficou uma zona... misturava português com francês, com inglês.. até o portunhol que falei com o chileno na noite anterior apareceu!

Fomos conhecer a praia de Sohar depois do almoço... aí eu vi que a cidade é maior do que a estrada que corta, onde estou morando e onde tem o mercado, shopping e essas coisas...

O Ronaldo, que vai ficar aqui comigo até o final, é pescador... e quer por que quer ir pescar... trouxe vara, molinete, anzol... o pacote completo... Fomos no porto de Sohar, onde tem o mercado dos peixes... tinha gente pescando no deck... fomos lá ver... os caras sentados lá no tronco pra amarrar as cordas dos barcos... com linha amarrada na lata de óleo... parecia que iam empinar pipa... tinham dois pontos de pescaria, o inicio do deck, junto das pedras, e o final. No inicio, tinham uns filipinos lá pescando uns peixinhos de umas duas polegadas... minúsculos... no final tinha um cara pescando peixe espada...tinha uns 4 já pescados... a isca que ele usava era o peixinho pequenino que os outros estavam pescando... aí entendi... antes de pegar peixe grande tem que pegar o pequeno pra servir de isca... os do inicio pegando peixe sem parar e o do final acabou de puxar outro espada... tudo isso só com linha... sem vara... nisso chegou um filipino com sua vara, molinete, luvinha pra segurar a vara... o cara ficou lá... de um lado pro outro... e nada... enquanto isso os outros com a lata de óleo puxando... Fiquei imaginando o Ronaldo chegando lá com varas, molinetes, chapéu, colete de pescador... essa máscara toda e passando vergonha... O pior, é que depois que o Reinaldo e o Zé Carlos forem embora, eu vou ter que levar ele pra pescar... eles ficaram de ir pescar amanhã... vão sair as 5 da manhã... eu não vou... quero só ver se eles estão nessa empolgação toda... (claro que quando eu postar isso, já saberei o desfecho da pescaria – lembram que estou internetless? - mas não vou atualizar... vamos manter o suspense e ver se isso gerará um outro post!) E descobri por que que eu não gosto de pescaria... primeiro por que eu não como peixe... Segundo por que eu não posso maltratar meus familiares... e depois por que pescaria é uma coisa de viado... ficam segurando a vara, sentados no tronco e torcendo pra pegar o espada!

Já que o almoço foi tarde, não jantamos... o Ronaldo foi dormir pra sonhar com a pescaria, e eu fiquei aqui escrevendo e vendo futebol na Dubai Sports... divertido... em árabe, tinha o time de branco e o time de vermelho... no de vermelho joga o Fernando Baiano... um técnico era o Abelão e o outro o Tite... não sei de qual time... o jogo foi 0X0, mas foi muito pegado... os caras batem muito... o Baiano tomou uma pegada sem bola que foi algo absurdo... o time de branco bateu muito... mas o mais divertido é ver o Mesa Redonda deles... não entendo nada do que eles falam, eles parecem que estão sempre brigando... todos com a roupa branca, mas com um turbante diferente dos que tem aqui em Omã... os dos caras da TV parecem ser mais formais... todo branco, protegendo a nuca e com uma faixa preta prendendo-o na cabeça... e apesar do dinheiro todo que eles tem, o apresentador tem um notebook que mais parece um "Pense Bem" e com adesivo do patrocinador na tela!

É isso vou dormir... acabou tendo bastante coisa pra falar...

#salamaleicon pra vcs!